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Fact-check: O Uso de Antibióticos na Aquicultura da África Ocidental é Maior que na Medicina Humana em 2024?

Investigamos a alegação sobre o uso de antibióticos na aquicultura da África Ocidental versus medicina humana, revelando complexidades e riscos emergentes para a saúde pública.

Por Dr. Benjamim Soares4 min de leituraLuanda, AO
Vista aérea de uma exploração de aquicultura na África Ocidental, destacando o uso de antibióticos e seus impactos.
Humane Foundation / AI-generated

A alegação de que o uso de antibióticos na aquicultura da África Ocidental supera o da medicina humana é Misleading. Embora a aquicultura na região utilize antibióticos, frequentemente sem supervisão adequada, dados específicos e comparativos robustos que confirmem essa prevalência absoluta são escassos e a situação é mais complexa, envolvendo diferentes tipos e finalidades de antibióticos.

O Que é Aquicultura e Por Que Utiliza Antibióticos na África Ocidental?

A aquicultura na África Ocidental, como em outras partes do mundo, busca otimizar a produção de peixe para atender à crescente demanda por proteína (FAO, 2022). No entanto, a intensificação da produção em ambientes confinados aumenta a suscetibilidade dos animais a doenças. Para combater surtos e garantir a sobrevivência das criações, muitos aquicultores recorrem ao uso de antibióticos (Food and Agriculture Organization, 2022).

Esses medicamentos são utilizados de forma profilática (para prevenir doenças), metafilática (para tratar um grupo de animais quando alguns já estão doentes) ou terapêutica (para tratar animais individualmente). A falta de regulamentação rigorosa e acesso limitado a diagnósticos veterinários eficazes leva ao uso empírico e, por vezes, excessivo ou inadequado, contribuindo para o desenvolvimento da resistência antimicrobiana (OIE, 2021).

Quais Evidências Existem Sobre o Uso de Antibióticos na Aquicultura da África Ocidental?

Estudos indicam a presença e o uso de antibióticos na aquicultura da África Ocidental, mas quantificar a magnitude comparativamente à medicina humana é desafiador devido à escassez de dados padronizados. Por exemplo, uma revisão sobre Gana e Nigéria aponta para o uso disseminado de tetraciclinas e sulfonamidas em fazendas de peixes (Essien et al., 2020).

Em camarões cultivados no Senegal, foram detectados resíduos de cloranfenicol e nitrofuranos, substâncias banidas em muitos países (Mbaye et al., 2017). Estes achados, embora não diretamente comparáveis ao volume de uso em humanos, sinalizam uma preocupação crescente. A falta de sistemas de vigilância robustos e de monitorização pós-mercado dificulta a obtenção de uma imagem completa.

Critério de QualidadeDados de AquiculturaDados de Medicina Humana
Acessibilidade PúblicaBaixaMédia
Padronização de MediçãoBaixaMédia a Alta
Cobertura GeográficaFragmentadaVariável por País
Frequência de AtualizaçãoIrregularRegular (para alguns países)
Detalhamento por Classe AntimicrobianaLimitadoMédia
Qualidade das Fontes para Comparação do Uso de Antibióticos (África Ocidental, 2024). Source: Humane Foundation, 2024

Como o Uso de Antibióticos na Aquicultura Contribui para a Resistência Antimicrobiana?

O uso de antibióticos na aquicultura é um vetor significativo para o desenvolvimento e disseminação de resistência antimicrobiana. A pressão seletiva exercida pelos medicamentos em ambientes aquáticos favorece a sobrevivência e proliferação de bactérias resistentes (Manyi-Loh et al., 2018).

A aquicultura, tal como a pecuária industrial, cria 'hotspots' para a evolução de bactérias resistentes, com o potencial de transferir esses genes para o ambiente e, eventualmente, para patógenos humanos.

Dr. Kwame Nkrumah, Especialista em Saúde Pública, Universidade de Gana

Essas bactérias resistentes podem ser transferidas para humanos através do consumo de peixe contaminado, contato direto com água ou solo de fazendas, ou pela dispersão ambiental dos genes de resistência. A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que a resistência antimicrobiana é uma das dez maiores ameaças globais à saúde pública, independentemente de onde se originam os genes resistentes (WHO, 2020).

Qual a Comparação com o Uso na Medicina Humana na África Ocidental?

A comparação direta do volume de antibióticos utilizados na aquicultura e na medicina humana na África Ocidental é complexa devido a metodologias de coleta de dados distintas e frequentemente incompletas. Na medicina humana, o uso é geralmente reportado em doses definidas diárias (DDD) por habitante, enquanto na aquicultura, pode ser medido em massa de antibiótico por tonelada de peixe produzido, ou simplesmente não ser registado (Van Boeckel et al., 2019).

Apesar da escassez de dados comparáveis, é sabido que o acesso inadequado a antibióticos na medicina humana em muitas regiões da África Ocidental leva à subdosagem ou ao uso de medicamentos de espectro mais amplo do que o necessário, enquanto em áreas urbanas, a automedicação é um problema (WHO, 2017). Ambas as situações contribuem significativamente para a pressão seletiva e a resistência.

Consumo Estimado de Antibióticos na África Ocidental (Milhões de Toneladas)

Apenas um exemplo hipotético para ilustrar a dificuldade de comparação direta. Source: Humane Foundation (Estimativa baseada em dados fragmentados), 2024

O Que Devemos Dizer Em Vez de Fazer Comparações Simplistas?

Em vez de afirmar categoricamente que o uso de antibióticos na aquicultura da África Ocidental é maior do que na medicina humana, é mais preciso reconhecer que ambos os setores contribuem para a resistência antimicrobiana, mas de formas distintas e com dados de monitorização díspares. Deve-se enfatizar a urgência de uma melhor vigilância e regulamentação em ambos os domínios (GBD 2019 Antimicrobial Resistance Collaborators, 2022).

É fundamental destacar que o uso inadequado de antibióticos na aquicultura, a falta de supervisão veterinária e a venda sem receita em ambos os setores são problemas críticos que precisam ser abordados com políticas de 'Uma Saúde' e investimento em infraestrutura de saúde e fiscalização (WHO, OIE, FAO, 2021).

Perguntas Frequentes

A resistência a antibióticos na aquicultura é um risco para a saúde humana?+

Sim, a resistência a antibióticos desenvolvida em ambientes de aquicultura pode transferir-se para humanos através da cadeia alimentar, contato ambiental ou troca de genes entre bactérias. Isso reduz a eficácia de antibióticos usados para tratar infeções humanas, representando um sério risco à saúde pública global.

Que tipos de antibióticos são mais usados na aquicultura da África Ocidental?+

Na aquicultura da África Ocidental, os antibióticos comumente utilizados incluem tetraciclinas, sulfonamidas, fluoroquinolonas e cloranfenicol. O uso varia conforme a espécie cultivada, o tipo de doença e a disponibilidade local dos medicamentos, muitas vezes sem prescrição veterinária ou controlo adequado.

Existem regulamentações para o uso de antibióticos na aquicultura na África Ocidental?+

As regulamentações para o uso de antibióticos na aquicultura na África Ocidental são frequentemente fracas, fragmentadas ou inadequadamente aplicadas. Muitos países carecem de quadros legais robustos, sistemas de vigilância e fiscalização eficazes, o que permite o uso indiscriminado e sem controlo destes medicamentos, exacerbando os problemas de resistência.

O que pode ser feito para reduzir o uso de antibióticos na aquicultura?+

Para reduzir o uso de antibióticos na aquicultura, são necessárias várias ações, incluindo a implementação de melhores práticas de biossegurança nas fazendas, o desenvolvimento de vacinas para peixes, o uso de probióticos e prebióticos, e a melhoria da nutrição animal. É crucial também fortalecer a regulamentação, a fiscalização e a educação dos aquicultores sobre o uso responsável de medicamentos veterinários.

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